Mestrado em Portugal: egressa conta sobre sua experiência | Alumni Unesp
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Por Isabela Holl
29/11/2021
29/11/2021
Tempo de leitura: 8 min

Mestrado em Portugal: egressa conta sobre sua experiência
A ex-aluna foi aprovada na Universidade de Porto em 2018


Danielle Castro graduou-se na Unesp em 2006, ela é formada em Jornalismo pelo câmpus de Bauru. A egressa atuou em diversas áreas da sua profissão como Fotografia, Social Media e até Educação. A comunicadora afirma que gosta de “estar sempre em movimento” e já fez duas pós-graduações, uma na USP, em Divulgação Científica e outra na área de Artes na FAAP (Fundação Armando Álvares Penteado). Em 2018, a egressa sentiu vontade de buscar algo novo, foi quando entrou no mestrado em Relações Internacionais na Universidade de Porto, em Portugal. Em entrevista, Danielle nos contou sobre sua experiência profissional, internacional e trouxe algumas dicas para quem deseja estudar fora.

 

A egressa teve seu primeiro emprego na área de Jornalismo em 2007, quando atuou como repórter da Folha de São Paulo. Essa experiência logo após sua graduação, Danielle afirma: “a Unesp ainda é uma parte muito especial da minha vida”. Foi na faculdade, por meio de estágios e projetos de extensão, que ela criou as suas bases no mundo da Comunicação e foi nessa área que ela trabalhou enquanto estava em Portugal. 

 

Em Porto, a jornalista trabalhou com redes sociais, Marketing Digital e Fotografia. Segundo ela, essas áreas têm bastante demanda de trabalho por lá. “O bom é que há muitos brasileiros empreendedores no país e eles são clientes em potencial para texto, foto e conteúdos em geral”, conta.

 

Para ingressar no mestrado, ela precisou de seu histórico escolar, sua grade curricular, uma carta de interesse e um currículo acadêmico e profissional. Além disso, buscou cartas de recomendação de seus ex-professores da Unesp. 

 

Para quem deseja estudar em Portugal, os processos seletivos são todos feitos de forma online. Cada universidade tem seu próprio site, pelo qual é possível aplicar a candidatura, diferente da França que tem uma plataforma única, como abordado na matéria “Egressa apresenta 4 dicas essenciais para quem quer estudar na França”. 

 

Os processos seletivos não requerem um pré-projeto e não há uma prova, os documentos enviados são avaliados pela instituição de ensino. Entretanto, as Universidades não são gratuitas, inclusive as públicas. Essas possuem uma taxa anual que pode ser parcelada, cada instituição tem o seu próprio valor, mas esse não costuma ser inferior a 1500 euros. As taxas para estudantes estrangeiros normalmente são mais caras, mas pelo Brasil ser um país de língua portuguesa, o preço pago pelos brasileiros é mais barato do que dos estudantes advindos de outros países.

 

O valor anual pode ser parcelado em até 10 parcelas, para se isentar dessa cobrança é possível tentar alguma bolsa. Em Portugal, essas são oferecidas pela própria universidade ou por instituições específicas, como: Fundação de Ciência e Tecnologia (FCT); Fundação Luso-Americana; Instituto Camões e Fundação Calouste Gulbenkian

 

A experiência no país, para Danielle, foi positiva. Ela conta que foram 3 anos intensos de trabalho, estudos e vida social. Em entrevista com o Portal Alumni, contou sobre suas experiências de carreira, vida no exterior e planos para o futuro:

 

Por que optou por Jornalismo na Unesp?


Eu sou natural de Ribeirão Preto e escolhi fazer jornalismo na Unesp porque, além de uma ótima universidade, era no interior. Adoro capitais, mas nunca pensei em viver em uma. Gosto de centros que tenham tudo, que sejam urbanos, mas onde o trânsito não tome mais que 15 minutos a cada trajeto.

 

Como foi sua experiência profissional após a formatura?

 

Durante a faculdade ainda fiz estágio em Rádio e TV e depois em Assessoria. Também fiz parte de vários projetos de extensão (fui locutora e editora da revista de Jornalismo da Rádio Unesp Virtual, quando ainda era Rádio Mundo Perdido), fiz IC com bolsa Fapesp com foco em Fotojornalismo e Design de capas de jornal e até um documentário sobre os 25 anos da descoberta do HIV tive a oportunidade de elaborar. O meu forte, porém, sempre foi o texto. 

 

Meu primeiro emprego foi logo na Folha de S.Paulo, onde fui repórter e aprendi a identificar uma notícia e como escrevê-la com o espaço que estivesse disponível (é sempre difícil cortar, mas é o que nos faz escrever melhor). Depois fiz o caminho inverso de muita gente e fui para um jornal menor, regional. Foi escolha minha sair do batidão da redação da Folha, sentia que precisava melhorar o meu banco de fontes, as minhas pautas e isso demanda um tempo que o jornal de grande mídia não te dá. Foi ali que fui direcionando para Meio Ambiente, Educação, Ciência… e, também, pude fazer duas especializações: uma em História da Arte (FAAP) e outra em Divulgação Científica (USP) com foco em Educação. 

 

Em 2010, quis sair do Jornalismo diário e resgatar a Fotografia, que sempre foi uma paixão na minha vida. Abri então um bureau de Comunicação (o Brasilroots, que depois virou Pé de Foto Estúdio) com o João Breno Mansano, publicitário, fotógrafo e, hoje, meu marido. Nós trabalhamos com conteúdo para mídias, fotojornalismo, fotografia documental, redes sociais e editoração por 10 anos. Chegamos a lançar uma revista, a LAICA, que produzimos por 6 meses de ponta a ponta. 

 

Em 2012, ainda na fase do estúdio, fui convidada a trabalhar na Casa da Ciência do Hemocentro de Ribeirão Preto como Jornalista e bolsista-técnica CNPq. Minha missão foi escrever "O Livro da Casa da Ciência", uma publicação digital que ao final de 3 anos de pesquisa, edição e editoração rendeu 36 fascículos sobre história, metodologia, artigos, programas educacionais e cases de professores. Nessa época também fui palestrante do projeto Adote Um Cientista, programa voltado para estudantes do ensino fundamental e médio com foco na produção científica da pós-graduação.

 

Quando fiquei grávida, em 2015, desacelerei um bocado. Encerrei minha participação na Casa da Ciência, fiquei só com alguns clientes do estúdio e fui viver minha maternidade com a minha “pessoinha” favorita no mundo. Quando ele fez 2 anos e começou a ir para escola, quis aumentar o ritmo mais uma vez (nunca parei de trabalhar, mas já queria um projeto novo... Eu corro atrás desde os 15 anos, dava aulas de ballet e fiz isso até os 20, enquanto ainda era universitária, é parte de mim estar em movimento). Foi aí que veio Portugal.

 

Quando decidiu ir para Portugal?

 

Fiz a inscrição para o mestrado em janeiro de 2018. Preparei uma carta de interesse, busquei minhas notas e grades curriculares, pedi algumas cartas de recomendação para meus orientadores (que acabaram por me fazer chorar pelo carinho e consideração que recebi). Eu estava há 10 anos sem estudar, dois fora do ambiente acadêmico e fiquei bastante ansiosa. Em março fui convocada e fiquei em segundo lugar na seleção para o Mestrado de História, Relações Internacionais e Cooperação (MHRIC) da Universidade do Porto.

 

Em Portugal, com o que você atuava? 

 

Lá eu estudei o primeiro ano inteiro (as aulas aconteciam no período diurno) e usei dois anos (formato parcial) para escrever o mestrado, defendi e fui aprovada em julho de 2021. No segundo e no terceiro ano, trabalhei com marketing digital, vendas e cheguei a ser formadora de marketing em redes sociais e uso de marca pessoal (ensinei mais de 400 alunos da área imobiliária). Também criei a Sabe Bem Digital e a Fotografia no Porto, e atendi clientes com conteúdo para redes sociais, fotografias documentais e para publicidade. 

 

Foram três anos muito intensos da minha vida e sou muito grata. Fiz muitos amigos, integrei meu filho na educação portuguesa, conheci um perfil diferente de ensino e ganhei um grande amor: a cidade do Porto. 

 

Eu voltei de Portugal em dezembro, depois de uma temporada de 3 anos por lá. O motivo foi mesmo a pandemia, que nos isolou muito e nos deixou receosos de adoecer e deixar nosso filho lá sozinho com as fronteiras fechadas para os avós, que estavam no Brasil. Voltar, porém, foi importante e estou agora em uma equipe muito proativa de Comunicação, onde atuo como coordenadora de Jornalismo e Assessoria.

 

Quais dicas daria para estudantes e recém formados que querem trabalhar em Portugal? 

 

Ir com uma reserva para o primeiro ano é essencial, pois os horários acabam comprometidos e o visto para trabalho só é liberado no segundo ano, quando se vai renovar o cartão de residência e pode-se apresentar a grade curricular que não fica comprometida pelo emprego. A área de marketing digital, redes sociais e TI têm muita demanda, mas as duas primeiras ainda estão sendo consolidadas na cultura local. O bom é que há muitos brasileiros empreendedores por lá e eles são clientes em potencial para texto, foto e conteúdos em geral. Se for para uma vivência, há sempre os trabalhos para jovens em festas e bares das zonas turísticas, que também valem a pena pela experiência na cultura portuguesa. 


Vejo que na sua carreira você lida bastante com Jornalismo Ambiental, Artes e Comunicação digital, como você mantém esses interesses? 

 

Sim. Hoje eu atendo clientes de vários segmentos, mas construí uma rede particularmente interessante no campo da sustentabilidade - acabei de acompanhar a COP-26 aqui do Brasil com uma de minhas clientes e saímos no Valor Econômico, no Globo Rural e na Veja. Inclusive quase foi o tema do meu mestrado (iria falar sobre a ODS 6, sobre a água - acabou virando um artigo que preciso publicar). No fim, acabei pendendo para um tema histórico nas Relações Internacionais, foquei na viagem de 1871 de Pedro II, porque eu já tinha um trabalho de 2018 na FAAP, que trouxe conteúdos relevantes sobre a história da fotografia no Brasil (em especial nos seus primórdios e como arte) e que precisavam ser atualizados e publicados. Portugal me deu um material muito rico para isso, trabalhei com quatro objetos: um livro homenagem dos portugueses para o Imperador, As Farpas de Ramalho Ortigão e Eça de Queiroz, o jornal O Commercio do Porto e os Diários do próprio Pedro II.

 

Quais seus planos para o futuro? 

 

Estou de olho no doutorado, que quero fazer no Brasil com foco nas cartas entre Pedro II e sua irmã Maria II, rainha de Portugal, vou manter meu campo de pesquisa em imagem e representação, com foco em semiótica cultural e relações históricas internacionais. Também quero fortalecer minha presença como jornalista ambiental e historiadora e tenho o projeto de lançar um canal de entrevistas e matérias com esse perfil de conteúdo. 




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