
Wallace Casaca é graduado no curso de Matemática Aplicada e Computacional da UNESP de São José do Rio Preto e, atualmente, é professor da UNESP de Rosana. Ele está liderando o time de pesquisa responsável pelo projeto “SP Covid-19 Info Tracker”, ferramenta que atualiza diariamente dados sobre o Coronavírus em 90 cidades do estado de São Paulo.
O projeto é formado por pesquisadores da UNESP e da USP que são vinculados ao Centro de Ciências Matemáticas Aplicadas à Indústria (CeMEAI), um dos 17 Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPIDs) nacionais, financiados pela FAPESP (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo).
O CeMEAI é um centro de tecnologia de ponta, onde os pesquisadores buscam alinhar suas pesquisas com problemas atuais. No centro, eles se dividem em times de pesquisadores e utilizam a ciência e a tecnologia para buscar soluções para problemas, agora, a pandemia se tornou o principal foco.
Wallace está à frente de um desses times de pesquisa, ele explica que a motivação ao criar o projeto foi combater a desinformação. Com o “SP Covid-19 Info Tracker” é possível divulgar dados atualizados e precisos sobre a pandemia em suas cidades.“A plataforma disponibiliza ao público condições tecnológicas para explorar esses dados de forma fácil, interativa e com alto grau de detalhes”, conta o pesquisador.

Interface da plataforma criada pelos pesquisadores do CeMEAI
No site, você pode acessar dados sobre aumento e declínio dos casos de coronavírus, indicadores gerais de casos confirmado, descartados, exames realizados, recuperados e óbitos, por município. A plataforma também fornece um quadro comparativo entre as cidades mais afetadas.
A trajetória do pesquisador e sua visão sobre a UNESP
Walace explica que a plataforma combina o uso de métricas matemáticas com conhecimentos de programação de computadores. Para ele, a formação na UNESP foi primordial para seu desenvolvimento multidisciplinar.
Ele comenta que a UNESP tem cursos de graduação e pós-graduação com nível de excelência internacional. “Na UNESP, o estímulo à multidisciplinaridade na pesquisa é algo comum na formação do aluno. No curso em que me formei, bacharelado em Matemática do IBILCE-UNESP, o estímulo ao uso da matemática como uma ferramenta prática de resolução de problemas sempre foi uma preocupação constante do corpo docente”, conta o pesquisador.
Walace conta que sua trajetória, de aluno para docente, não foi fácil “obstáculos vão desde dificuldades socioeconômica no ingresso à universidade até aescassez de vagas para atuar na academia, como docente. No caso da minha trajetória, realizei parte da graduação trabalhando para ajudar na renda da família. Questões como equidade acadêmica e acesso às oportunidades nem sempre são ações de fácil alcance no meio acadêmico”.
As bolsas de iniciação científica ajudaram Walace a permanecer na faculdade. Ele destaca o quanto esse tipo de auxílio pode ser um divisor de águas na vida de um estudante, “as bolsas conciliam renda, perspectiva de ascensão e desenvolvimento acadêmico. Elas me permitiram amadurecer como pesquisador e como pessoa”.
Bastidores do Projeto
Walace nos contou sobre a rotina por trás do “SP Covid-19 Info Tracker”. Os dados presentes na plataforma são inseridos manualmente, todos os dias. São utilizados os boletins epidemiológicos das prefeituras de todas as 90 cidades analisadas. Esses números são colocados em planilhas, são processados e divulgados pela plataforma.
Esse processo está sendo feito desde 26 de março, existem algumas dificuldades, pois os dados emitidos por cada prefeitura são diferentes e, algumas vezes, interrompem a divulgação de determinado dado ou não atualizam o boletim com a frequência ideal.
O pesquisador comenta sobre outro problema: “questões de ordem política têm sido perceptíveis nas últimas semanas, sendo várias delas preocupantes, no sentido de como os municípios têm enfrentado o surto e a questão da transparência dos dados”. Para tentar vencer esses obstáculos, os pesquisadores tentam consultar diferentes canais de comunicação.
Dedicação acadêmica para vencer a pandemia
O egresso afirma que o que principal papel da ciência brasileira deve ser solucionar problemas relacionados a questões sociais. “Por exemplo, a questão da pandemia é um expoente dessa ideia, pesquisadores têm despendido esforços (muitos deles exaustivos) na construção de saídas para a pandemia no Brasil. A universidade pública está empenhada e sensível a questão, essas pesquisas não são só das áreas de saúde e tecnologias: há um “universo de ações” que englobam desde a questão do ensino e aprendizagem em ambiente virtual, até a elaboração de políticas públicas. Além disso, também há projetos para acompanhar como a sociedade está lidando psicologicamente, socialmente e fisicamente com a pandemia.”
Como docente na UNESP, Walace tenta passar essa preocupação em solucionar problemas de cunho social para seus alunos. Ele comenta sobre o afeto que tem em lecionar e contribuir para formação de novos profissionais e pesquisadores. Walace também criou o projeto de extensão “GECET – Garotas nas Engenharias, Ciências Exatas e Tecnologias”, como uma forma de tentar desconstruir estereótipos de gênero relacionados à carreira de exatas.