
Rafael Felipe dos Santos teve a ideia de publicar um livro para auxiliar educadores no ensino de Música durante o seu doutorado, entre 2023 e 2025, cursado no Programa de Pós-graduação em Música, no câmpus de São Paulo. A motivação para ingressar no Instituto de Artes (IA - Unesp) ocorreu devido a percepção de que havia uma defasagem no preparo de professores da Educação Básica em relação ao ensino musical, o que motivou o egresso a iniciar uma pesquisa de mestrado com essa temática, entre 2020 e 2022.
O e-book “Perspectivas da abordagem Orff-Schulwerk no ensino musical nos anos iniciais: práticas e impactos educacionais” é fruto das pesquisas do egresso, sob orientação da Profa. Dra. Sonia Regina Albano de Lima. A obra está disponível na Amazon, com distribuição em nove países lusófonos.
Rafael já trabalhava como professor e gestor pedagógico há 11 anos quando ingressou na pós-graduação da Unesp, essa experiência fez com que ele tivesse uma percepção ampla sobre o ensino de Música nas escolas. Além disso, ele é formado em Pedagogia e Educação Musical pelo Instituto Claretiano, em 2019 e 2020, respectivamente.
“Uma questão na Educação Básica, é que ‘Música’ não é uma disciplina oficial do componente curricular, ela está alocada dentro de ‘Artes’ e depende de conhecimentos e da intenção do educador para que seja lecionada em sala de aula. A abordagem Orff-Schulwerk é uma possibilidade pedagógica que pode ser usada por professores generalistas e que não requer grandes suportes físicos. Essa é outra dificuldade porque, muitas vezes, o educador possui apenas uma lousa e carteiras para lecionar”, explica o egresso.
O pesquisador conta que essa abordagem possibilita que os alunos tenham um estímulo artístico para desenvolver uma sensibilidade musical e construir perspectivas críticas acerca da arte. “A Orff-Schulwerk é voltada para aulas de música coletivas e pode utilizar elementos disparadores da prática como poemas, jogos de mão, trava-línguas ou pinturas, por exemplo. Se o professor aprender as técnicas, é capaz de desenvolver diversas ações para mobilizar os alunos”, ressalta.

Egresso e Profa. Andreia Miranda do IA ministram aula na Escola Estadual Pereira Barreto. Foto: Mirian Mari
Música e Educação
Rafael entrou no mundo da música aos 12 anos, como trompetista na banda sinfônica municipal da cidade em que cresceu: Jacareí (SP). Ao completar 18 anos, um professor o aconselhou a ir para a capital paulista para se desenvolver como músico e, assim, ingressou na Escola de Música do Estado de São Paulo (Emesp).
Com o passar do tempo, passou a tocar na Banda Sinfônica Jovem do Estado e, durante 15 anos, atuou profissionalmente como instrumentista com passagens pela Orquestra da Companhia Ópera São Paulo, pelo grupo de Práticas Avançadas de Música de Câmara e Orquestral da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (Osesp) e pela São Paulo Wind Ensemble (SPWE).
“Eu não imaginava que depois de tantos anos, iria caminhar para a área da educação. Acho importante destacar que quando falamos de educação musical, não estamos apenas falando sobre sensibilização sonora, mas também sobre criação, aulas coletivas, desenvolvimento de habilidades e proporcionar a ideia que a música é para todos”, destaca o egresso.
Relação com a Unesp
Para o egresso, algo que lhe chamou a atenção na Unesp é a possibilidade de estudar e desenvolver pesquisas com um olhar interdisciplinar. “Acho isso um grande diferencial, essa abertura para o aluno transitar em diversas áreas”, ressalta.
O egresso também conta que pôde participar de entidades estudantis, como o conselho de pós-graduação, o que permitiu que ele aprendesse ainda mais sobre o universo da docência em uma instituição pública de ensino superior.