Egressa recebe menção honrosa por série de reportagens sobre a máfia chinesa | Alumni Unesp
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Publicado em:
09/02/2026
09/02/2026
Tempo de leitura: 4 min

Egressa recebe menção honrosa por série de reportagens sobre a máfia chinesa
A homenagem ocorreu durante o “Prêmio Cláudio Weber Abramo de Jornalismo de Dados”



Milena Vogado tinha apenas um ano de trabalho como repórter no Metrópoles quando recebeu uma menção honrosa do “VII Prêmio Cláudio Weber Abramo de Jornalismo de Dados” em outubro de 2025. A homenagem ocorreu devido a série de reportagens “Tentáculos da Máfia Chinesa”, realizada em co-autoria com Luiz Vassallo e Artur Rodrigues. A jovem se formou como jornalista em 2023 pela Faculdade de Artes, Arquitetura e Comunicação (FAAC - Unesp), no câmpus de Bauru. 


A categoria “Investigação”, na qual o trabalho foi homenageado, buscava destacar reportagens sobre temas de interesse público, com informações inéditas obtidas através de análise de dados. A edição de 2025 do Prêmio Cláudio Weber Abramo foi realizada pela Escola de Dados (Open Knowledge Brasil), em parceria com a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) e o portal Transparência Brasil.


Artur Rodrigues, Luiz Vassallo e Milena Vogado durante evento do Prêmio Cláudio Weber Abramo

Foto: arquivo da egressa


Milena conta que foi interessante ter essa experiência tão cedo em sua carreira. “Tudo começou quando prenderam um imigrante chinês em Pacaraima (RO), na divisa com Venezuela, e foi divulgado pela Polícia Federal que ele havia extorquido comerciantes do Brás”, conta a egressa. Como a história envolvia a cidade de São Paulo, onde fica a sede do Metrópoles em que Milena trabalha, os jornalistas decidiram investigar a questão.


Eles descobriram que o nome desse homem preso constava em um processo público do Tribunal de Justiça de São Paulo. “O documento tinha cerca de 1800 páginas e detalhava sobre crimes da máfia chinesa, incluindo extorsões de valores altos, como 300 mil reais, por exemplo”, afirma a jornalista. Ela também explica que os mafiosos exploravam imigrantes vindos da mesma região que eles da China, sequestravam essas pessoas e pediam quantidades de dinheiro que os trabalhadores não tinham, assim famílias inteiras se juntavam para pagar os resgates das vítimas. 


“Em paralelo a essa investigação que eu estava fazendo, meu colega Luiz Vassallo apurava um caso de fabricação e venda de metanfetamina em São Paulo. Na redação, Artur Rodrigues também descobriu sobre lavagens de dinheiro usando Fintechs [empresas de tecnologia e finanças] e escolas de armas. Todos esses casos envolviam criminosos de grupos chineses. Então, nos demos conta que estávamos tratando do mesmo assunto e assim surgiu a série de reportagens Tentáculos da Máfia Chinesa”, lembra Milena. 


A jornalista ressalta que descobriram sobre uma rede envolvendo tráfico de drogas, extorsões, sequestros, estelionatos, contrabando e lavagem de dinheiro. Todo esse esquema estava conectado com o grupo criminoso Primeiro Comando da Capital (PCC) e com Fintechs localizadas na avenida Faria Lima em São Paulo. 


Dentro do território da máfia


Para Milena, o dia mais marcante foi quando ela e um colega foram no bairro da Liberdade para procurar vítimas que pudessem ser entrevistadas. A dupla acabou dando de cara com um hotel em que sabiam que havia tráfico de metanfetamina e resolveram simular uma compra.


Na recepção, foi passada uma chave pix para eles efetuarem o pagamento da droga, eles aguardaram, mas no final a substância não foi entregue. “Deu para perceber que estavam desconfiados, neste dia eu senti medo, pensei ‘nossa, estamos dentro do território deles’. Felizmente conseguimos ir embora e com esse código pix descobrimos algumas informações importantes para a reportagem”, conta a egressa. 


Milena destaca que durante a escrita da matéria, se manteve atenta para não reproduzir estereótipos de xenofobia contra imigrantes chineses, afinal grande parte desses eram vítimas do grupo.


Relação com a Unesp


Milena conta que descobriu seu interesse em trabalhar com segurança pública e defesa dos direitos humanos quando estava no terceiro ano da faculdade. Ela comenta que o professor Francisco Rolfsen Belda foi importante em sua trajetória e lhe auxiliou a entender mais sobre o papel da especialização no Jornalismo. 


“Acho que a vivência na Unesp vai além da sala de aula, é o momento em que saí de casa com 18 anos, fui morar em uma cidade na qual não conhecia ninguém e acabou sendo a melhor experiência da minha vida. Também morei em uma república, conheci gente nova e me senti acolhida de diversas formas. Foi um aprendizado intensivo sobre vida, autoconhecimento, autonomia e formação crítica”, conta. A jornalista também destaca que só pôde concluir o curso graças ao suporte financeiro da Coordenadoria de Permanência Estudantil (Cope).






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