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Publicado em:
24/11/2025
24/11/2025
Tempo de leitura: 6 min

Atual reitora da Unifesp é egressa de Ciências Sociais pela Unesp
O encontro com a sociedade através de projetos de extensão é uma motivação da profissional


Foi na Unesp, durante a graduação na Faculdade de Ciências e Letras (FCLAr), que a Profa. Dra. Raiane Assumpção aprendeu como fazer Ciência. Entretanto, a novidade gerou uma inquietação: como colocar em prática o conhecimento adquirido no curso de Ciências Sociais? O questionamento a levou a participar de projetos de extensão, nos quais percebeu um interesse: o encontro entre a universidade e a sociedade. Movida por essa identificação, ela também atuou por 15 anos com políticas públicas, como o programa Fome Zero, no Instituto Paulo Freire e, posteriormente, se tornou docente e pró-reitora de Extensão e Cultura da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) na gestão 2017-2021, vice-reitora e reitora pro tempore (função transitória e temporária) na gestão 2021-2023, e reitora desde 2023 até o presente.  


Encontrar-se com pessoas para debater sobre o coletivo foi uma ação presente desde a adolescência de Raiane. Tudo começou em Bocaina (SP), quando participava de grupos que buscavam uma participação social na cidade. Além disso, durante o Ensino Médio na década de 90, a adolescente passou a entender a importância da educação pública e gratuita que recebeu em sua escola. Todas essas experiências, somadas ao contexto histórico de redemocratização do Brasil, após a promulgação da constituição de 1988, fizeram com que ela escolhesse o curso de Ciências Sociais. 


Na graduação, Raiane também se encantou com o ato de compartilhar conhecimentos de forma pedagógica. Essa descoberta, que ocorreu durante um estágio em uma escola noturna quando a jovem lecionou para adolescentes e adultos, foi motivadora para uma carreira acadêmica.


Mestre e doutora pela Unesp


Raiane concluiu a graduação em 1996 e logo ingressou no mestrado em Sociologia na FCLAr, a fim de pesquisar sobre o papel dos partidos políticos após a redemocratização do Brasil. Novamente, ela pôde fazer o encontro da teoria com a prática e estar próxima da sociedade, pois trabalhou simultaneamente na Prefeitura de Bocaina (SP), atuando na assistência social e saúde municipal. “Era um momento de construção de políticas públicas e dos conselhos municipais, para que as próprias pessoas pudessem participar das decisões do município”, lembra a reitora. 


Na virada do milênio, foi aprovada no doutorado de Ciência Política da USP, em São Paulo, para desenvolver a sua pesquisa sobre as instituições partidárias. Tomou como eixo de análise as redes sociais dos atores políticos e o capital político; assim, houve a necessidade de retomar os aportes da Sociologia, o que a fez voltar para o campus da Unesp em Araraquara e iniciar um doutorado em Sociologia em 2005.


Instituto Paulo Freire


Ao finalizar o doutorado, em 2008, Raiane passou a trabalhar como docente do curso de Serviço Social em uma faculdade privada na capital paulista, a sua coordenadora pedagógica havia sido aluna do educador, reconhecido internacionalmente, Paulo Freire. Por isso, a universidade tinha uma forte proximidade com a formação de professores no método criado pelo pedagogo. 


Em 2001, o Instituto Paulo Freire começou a realizar trabalhos junto com a Prefeitura de São Paulo e, por isso, aumentou o seu quadro de funcionários - do qual Raiane começou a fazer parte. A egressa participou da gestão de políticas públicas e contribuiu com o processo de formação dos Centros Educacionais Unificados (CEUs), durante o mandato de Marta Suplicy. 


Esses foram criados para serem mais do que uma escola, também englobam o ensino de adultos e oferecem atividades de cultura, esporte e lazer. Os CEUs proporcionam estruturas e equipamentos às populações periféricas, desde piscinas e quadras esportivas até acesso à internet e computadores, sendo um espaço de convivência. 


A unespiana trabalhou por uma década no instituto, onde também atuou diretamente com o Programa Fome Zero. Iniciado no primeiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o projeto buscava tirar o Brasil do mapa da fome, o que ocorreu após uma década da implementação da iniciativa, e desenvolver um trabalho de fortalecimento da vida coletiva e da participação cidadã, por meio da educação popular.


Atuação na Unifesp


Raiane se tornou professora da Unifesp em 2010, no curso de Serviço Social do câmpus da Baixada Santista. Logo, ela começou a participar de projetos com contato com a sociedade. “Já havia uma demanda para a universidade, das mães das vítimas dos crimes de maio de 2006, que procuraram a instituição para obter apoio para o acompanhamento do pleito de federalização dos crimes e o processo de reparação dos familiares. “Os crimes de maio de 2006 ocorreram no contexto do conflito gerado entre o Primeiro Comando da Capital (PCC), em São Paulo, e a polícia, tendo como resultado a morte de 700 pessoas no Estado paulista”, explica Raiane.


A reitora conta que começou a entrar em contato com essas mães ao desenvolver várias atividades de escuta e criação de vínculo por meio da educação popular, pelo “Núcleo de Pesquisa, Extensão, Educação Popular e Direitos Humanos” da Unifesp. “Voltei o foco da minha pesquisa para os direitos humanos e para educação popular, que era uma experiência que eu já tinha tido no Instituto Paulo Freire durante 10 anos. O objetivo das mães ali era obter políticas públicas que pudessem garantir o acolhimento, a memória, a reparação e a justiça”, ressalta.


A egressa destaca outras atividades extensionistas que participa na Unifesp, como um projeto voltado a dar visibilidade à cultura indígena, que atua com três aldeias da Baixada Santista. “O território dessa população não é reconhecido oficialmente como terra indígena, então existe uma discussão com o Ministério Público em que damos suporte. Também temos grupos atuando com a Educação Formal e auxiliando essas pessoas a conseguirem a certificação do Ensino Médio, para que possam ingressar em universidades. Aqui na Unifesp temos um vestibular específico para população indígena e a formação de professores em uma perspectiva intercultural, que hoje na nossa instituição, soma 80 estudantes que se auto declaram indígena”, explica Raiane.


A proximidade com a extensão à levou ao cargo de pró-reitora de Extensão e Cultura e, em 2021, se candidatou à vice-reitoria da Unifesp. Sua chapa foi eleita, mas o Reitor, por motivos de saúde, se afastou de suas funções e Raiane exerceu a função de forma pro tempore. Em 2023, Raiane se candidatou e se elegeu à reitoria, exercendo o cargo até o momento.


Relação com a Unesp


“Só a universidade pública possibilita o ensino, a pesquisa e a extensão. Tive essa compreensão a partir da vivência na Unesp. A graduação e a pós-graduação me abriram outras perspectivas: o mundo das Ciências. Além da possibilidade que a Ciência proporciona no sentido da própria transformação do pensamento e da nossa atuação, acredito que a educação pública permite que as pessoas alcancem um outro universo, mas que não pode ser um universo paralelo, precisa ser conectado com a realidade e com a sociedade. A Unesp possibilitou isso para mim. Sou muito grata”, afirma a unespiana.





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